Um Brinde ao Setembro Amarelo
Quem passa ou passou por uma depressão severa, sabe que nem sempre estar deprimido é estar no fundo do poço, não, muitas vezes é estar num poço tapado, é não dar a mínima para o que acontece ou deixa de acontecer no mundo, é se questionar se vale a pena viver ou se a morte não seria o maior dos alívios.
Não é apenas tristeza, é apatia, indiferença, antipatia com a vida, ódio de pessoas que não entendem o seu modo cinzento de enxergar. É o cansaço crônico de tentar explicar e não ser compreendido, de ouvir besteiras tais: “isso é fase, logo passa”, ou “se arruma e se perfuma e você verá como se sentirá melhor”, ou ainda “tudo isso é coisa da sua cabeça”.
Claro que é coisa da cabeça do depressivo, ora bolas, há uma grande influência dessa DOENÇA nos cérebros afetados (e nem vou falar daqueles com transtorno afetivo bipolar). As pessoas têm que entender que às vezes a primeira pergunta que um depressivo pode fazer ao se levantar é: “qual o sentido dessa merda toda?” ou “pelo quê eu poderia viver hoje?”.
Existe uma gama de perguntas essenciais e profundas que se passam na cabeça dessas pessoas, que lutam por um sentido ou por aceitar a conviver bem com a falta de sentido. Elas questionam deus, o diabo, o vizinho, a família e, acima de tudo, ela questiona a própria existência. Porque no fundo ela também quer entender porque ela não consegue ser feliz, o que está fazendo de errado ou o que está deixando de fazer.
Não importa muito o que aconteça, as pessoas procuram passar a imagem de que são solidárias à “suposta doença”, que normalmente falam que é frescura pelas costas e em alguns casos até dizem que você só está viciado em Rivotril ou coisa do tipo (quero pagamento pela propaganda do Rivotril).
Sua depressão e seu desejo de morrer não vão passar enquanto você desejar ser entendido, aceito, amado, obter todas as respostas do mundo, ser perfeccionista ao extremo, evitar não pensar tão negativamente do jeito que você pensa.
Falo por experiência própria, foi quando eu deixei de lado todas as pessoas as quais queria que me entendessem, que vissem que eu não tinha ânimo, força no corpo, que pensava em morrer todos os dias, que tomava remédios a mais quando minha ansiedade, a qual não podia controlar e nem contar para ninguém me surtava, quando tudo o que queria era dormir porque a dor era profunda demais.
Foi quando dei tempo para minha psiquê, que disse para eu mesma vou viver desse jeito mesmo, foda-se as pessoas, foda-se o isolamento social, foda-se que não consegui satisfazer as expectativas de todo mundo, que não precisava mais me esconder, que aceitei minha introversão, que me aprofundei no meu isolamento social e tudo o que fiz foi me dedicar a arte (amo escrever), que ouvi um chamado lá no recanto da alma.
E esse chamado veio de Lilith. Eu nem me considerava sequer espiritual naquela altura, mas ela estava ali, as projeções astrais voltaram do nada, Iasgnarin (um anjo) me disse que não ficaria mais sozinha, que as coisas começariam a mudar completamente, no começo minha vida era a mesma coisa de sempre, mas eu não era mais a mesma, algo me empoderava, algo me dizia que nasci para ser eu mesma.
E por fim você pode escolher opinar que consegui sair de uma longa noite escura da alma ou que enlouqueci de vez. Você é livre para pensar o que quiser.
Um brinde à hipocrisia social do Setembro Amarelo.

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