Eu também vou reclamar
Tenho nas duas últimas semanas estado um tanto estressada por causa de TPM, questão de capital e outros assuntos financeiros e tendo de aprender muitas coisas sobre temas fiscais, que devo admitir, não é algo que percebo ter tanta habilidade. Isso me levou a uma série de estudos desses conteúdos, especialmente por sites como o Sebrae e similares.
Isso me fez pensar muito em como era mais fácil ser um funcionário, onde eu tinha que fazer o que já sabia e implementar aos meus conhecimentos os diferentes sistemas operacionais de cada empresa que trabalhei. Isso me fez refletir muito, porque também entrei numa prática espiritual intensa, onde estou testando alguns sistemas e aprimorando outros.
Todas essas coisas têm me gerado determinado estresse, é sabido que quando estamos aprendendo algo novo, podemos comparar o uso do cérebro como de um avião, que usa muita energia para alçar voo e depois entra no automático tentando gastar o menos de energia possível. Algo muito falado num livro O Poder do Hábito.
Gosto como o Raul tão bem coloca isso numa de suas musicas “Eu também vou reclamar” - Dois problemas se misturam, a verdade do universo e a prestação que vai vencer – e acredito ser esse um ponto importante na vida de qualquer mago/maga/bruxo/bruxa que vive no Brasil, onde trabalhamos muito para recebermos pouco, onde somos cruelmente julgados pelo que temos e aparentamos, onde muitas vezes não nos sobra sequer tempo para pensar em coisas essenciais, tais quais “Qual é o sentido de tudo isso?”.
Encontrar tempo para as coisas do espíritos, especialmente por aqueles que tem um karma ainda maior de entrega com a magia, como os magos, sensitivos, médiuns e etc, porque muito do nosso equilíbrio nesse plano físico depende de uma intensa prática espiritual. Em nossa sociedade capitalista, não temos mais o apoio que um místico, xamã ou louco teria em tribos africanas, ou entre os SAMI, ou mesmo o apoio social dado aos gurus na Índia. A verdade é que no ocidente somos loucos, subversivos e marginalizados.
E ainda temos que contar com toda uma crença de que uma espiritualidade dedicada e verdadeira tem de vir de graça, mas como na musica citada do Raul, como fazemos isso? Como nos dedicamos a ajudar espiritualmente alguém numa sociedade que não nos apoiam, que acha que isso deve ser dado de graça, que somos, no mínimo, vagabundos, como se não precisássemos de dinheiro para manter nosso corpo físico, os grandes salões como no caso de centro espíritas, igrejas, ordens e outras lojas.
A importante que isso seja dito, porque esquecemos que um médium tem que pagar contas, tem de ter casa para morar e tantas outras coisas como qualquer um de nós e por carma, ele ainda é sujeito a uma prática espiritual intensa. Se um bom médium está conseguindo viver bem nessa cultura capitalista ou teve a sorte de fazer parte de um bom grupo espírito ou é apoiado por familiares (que invariavelmente se cansa dele) ou leva uma vida de extrema pobreza.
Como comunidade e espiritualistas, devemos no mínimo abraçar as causas que valem a pena, ajudar de verdade os centros espíritas e terreiros ao qual vamos, perceber que não vivemos mais em tempos onde a igreja matava para angariar o ouro e todas as belezas que vemos nas igrejas, enquanto pregava que era necessário aos fiéis que tinham se alegrar em serem pobres, pois assim adentrariam os reinos do céu.
Devemos repensar tais coisas, acolhermos nossos abençoados que equivocadamente ganham diagnósticos como doentes mentais, temos que abraçar nossos médiuns que já vem com uma carga de carma bem pesada e por isso é um, temos de dar espaço e apoio aos nossos xamãs, urbanos ou não, temos de aprender a ser solidários com o carma um do outro.
E assim falou a satanista.

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